É o meu santuário, que me dá paz, sorrisos e prazer. É o abraço de um só dedo que me ilumina o espírito, e é o ceú estrelado que me dá tecto.
É onde nada mais faz falta, só a voz e os murmúrios que me conduzem ao estado de não precisar de comer ou de beber, ou chorar ou gritar, ou temer ou sobreviver.
É a paz de ter tanto prazer e de me ter, pois é neste santuário, que és todo tu, que eu me entrego sem sacrifício, embora em esforço.
Vénia seja feita à solidão que me tem banhado e em que tenho sobrevivido, onde as palavras foram vãs e sem eco, pois foi assim que me escutei de verdade e soube agir. Foi como aprendi. E foi só que sempre enfrentei os desafios que tenho vencido solitariamente. Partilhara eu mais do que escassos momentos a minha vida e passaria a sobreviver o dia a dia. Mas já não estou tão só...
Porém, também quero que me segurem, esporadicamente, a mão e me conduzam, pois é a única via de me assegurar que a solidão faz-me melhor companhia do que quem não é meu companheiro. E é a cada gesto de me tocarem que estou certa de saber amar quem passa pelo meu mundo, que reconheço meu no acto de receber tais toques de paixãom porque é ao abrir a muralha que cerca o meu mundo que o sei meu e que existe para me acolher. O mesmo lugar onde tu estás acolhido.
Se construi estes muros foi para me proteger, e agora protegem-te a ti também. E se os derrubei alguma vez foi para te ter e fi-lo sem querer. Sem notar ou saber. És um mago? A tua aura tirou-me da minha estrela, de regresso à gravidade que me prende à terra do meu castelo.
Já não me cerca só uma muralha, estou rodeada de símbolos teus. O sol é a luz do teu olhar, a água o teu beijo, as estrelas o teu sorriso, no vento tenho a tua voz, e a sua carícia é a tua pele envolta na minha. Enquanto teus gestos suaves me seguem na minha sombra que é o teu sempre anjo da guarda.
Foi para chegar aqui que nunca me puderam dizer para parar o que quero fazer. Seria mais fácil dizer à chuva para não chover ou ao trovão para ser silencioso. Puderam sempre dizer-me o que fazer, mas sem me privarem do que eu quero fazer, pois seria um terramoto que rasgaria uma fenda de imenso abismo entre mim e quem me quisesse impedir de projectar o meu futuro. Foi por eu ser assim que tu estás em mim e vives no meu castelo, onde a murada já tem uma ponte levadiça.
domingo, 1 de agosto de 2010
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